Domingo, 16 de Setembro de 2007

Correio do Leitor

Chegou-nos às mãos um documento que achamos que mereçe ser publicado integralmente e sem qualquer comentário.
Parabéns ao autor.


“Sou sócio do Sport Lisboa e Benfica há mais de 20 anos. Não sou à mais, porque ainda não existia antes de ser sócio (o meu avô fez-me sócio do clube no dia em que eu nasci).

Desde cedo comecei a ir ver os jogos do meu clube ao velhinho Estádio da Luz, sempre acompanhado pela pessoa que me fez sócio do maior clube do mundo. Durante a semana ansiava pela chegada do fim-de-semana, sempre a pensar no próximo jogo do SLB. Nos jogos, costumava ficar na central - destinada aos sócios - e ao meu lado direito tinha a claque “Diabos Vermelhos”. Inicialmente, olhava para eles com um certo desconforto, uma vez que em casa sempre ouvira falar mal das claques de futebol (que causavam imensos distúrbios, e que só iam para os jogos para insultar e arranjar confrontos com claques adversárias). Opinião essa que é comum a uma grande maioria das pessoas.

Entretanto fui crescendo, e a convite de amigos meus pertencentes à claque “No Name Boys”, fui ver um jogo com eles para o Topo Sul; amigos esses que hoje em dia frequentam as licenciaturas de Medicina, Farmácia e Engenharia Física (tenho de o referir, porque há sempre um preconceito muito grande em relação aos elementos das claques, com tendência para generalizar um mal que não é comum a todos eles).

Devo dizer que adorei a experiência. Estava habituado a ir para a central, indubitavelmente o melhor local para se assistir a uma partida de futebol, mas onde raramente alguém apoia o clube (apenas quando se está a ganhar e a jogar bem), e ao assistir ao jogo no meio de mais de 2 mil pessoas que não se calavam durante praticamente os 90 minutos, sempre a apoiar o clube, fiquei estupefacto e senti algo de muito especial. Senti que ali, naquele topo, naquele jogo, tinha sido mais “útil” do que nas outras dezenas de jogos que já tinha ido ver na bancada central. E porquê? Porque por mais que cantasse na bancada destinada aos sócios, cantava sozinho, e ainda era olhado de lado, com olhares suspeitos ou de gozo. E no topo sul não, pelo contrário, vive-se um espírito de sacrifício enorme em prol do clube! Nesse dia, comecei a ver o movimento “ultra” e das claques de uma forma diferente. Isto, sem nunca fechar os olhos ao número significativo de elementos de cariz social baixo, com comportamentos que não podem ser considerados toleráveis.

Escusado será dizer que a partir desse dia passei a ir ver os jogos do Benfica para o Topo Sul. Desde essa altura, muitos foram os sacrifícios feitos para poder apoiar o clube em casa, fora (no resto de Portugal e no estrangeiro). Conheci imensa gente boa, gente honesta, desde professores a engenheiros, e outra gente menos boa (sempre me afastei desta ultima parcela). Vivi momentos mágicos como o jogo realizado frente ao Inter de Milão em San Siro, com o Sporting na Luz no ano do titulo, entre muitos outros. Dando um exemplo bem recente, o jogo do ano passado com os nossos rivais de Lisboa, em Alvalade XXI. Devem estar recordados do apoio em massa dado por ambos os grupos de apoio ao SLB. As vozes de mais de 2200 pessoas foram incessantes ao longo de mais de 90 minutos.

Lembram-se de jogadores como o Argel, Rui Costa, Simão Sabrosa ou Fabrizio Miccoli, que no final de tantos jogos se aproximaram dos nossos grupos agradecendo o apoio prestado? Lembram-se dos enumeros jogos em que o nosso apoio se tornou essencial e superou as vaias e os assobios lançados pelos milhares de adeptos do nosso clube quando as coisas correm menos bem? Lembram-se das presenças importantíssimas em jogos como os de Estugarda, Anderlecht, Inter de Milão, Manchester United, ou Barcelona? Pois bem, pelo que me ando a aperceber, da forma como este processo da “legalização” está a ser conduzido e a forma como a direcção do Sport Lisboa e Benfica está a lidar com as claques, todos estes momentos e muitos outros, vão deixar de existir com muita pena minha. A meu ver, o apoio das claques é essencial para o clube. Imaginem o que será quando não houver claques. Por um lado, a violência (que condeno absolutamente!) que se tem vindo a assistir com uma frequência preocupante infelizmente não vai deixar de existir, e por outro, o apoio ao clube durante os jogos será tremendamente menor!

Sendo agora mais objectivo e indo de encontro à questão da legalização das claques. Pelo que sei, as forças policiais têm conhecimento da grande parte dos elementos que causam normalmente distúrbios nas claques portuguesas, tendo acesso aos vídeos montados nos estádios de futebol, por exemplo, estando estes mesmos elementos identificados. Aquilo que se sucede em diversos países no estrangeiro é isto mesmo. Os elementos são identificados e impedidos de entrarem nos respectivos recintos desportivos. Com esta “lei” da “legalização”, ao que consta, somos obrigados a dar a nossa morada de casa, telefone, profissão, estado civil, número de BI, etc, para o CNVD. Com que intuito? Percebo isto como forma de intimidação de grande parte dos elementos dessas mesmas claques. A meu ver, trata-se de um atentado à liberdade de cada um de nós. Sem dúvida que quem não deve não teme, e por isso mesmo, à primeira vez que ouvi falar neste assunto, achei que até poderia vir a ser uma boa medida. No entanto, tomei conhecimento que em muitos países, o que se passa é que quando há determinado tipo de confrontos ou de distúrbios (muitas vezes nem sequer é necessária a presença de claques pelo meio), o que acontece é que os elementos pertencentes às claques e que se encontram nessas tais listas (iguais às que o Estado agora impôs) são muitas vezes chamados a depor quando não têm nada a ver com o ocorrido. Mais, muitas vezes, a partir do momento que se torna publico que pertencem a claques de futebol, a sua situação no emprego muda radicalmente. Existe um preconceito muito grande no que toca aos grupos organizados (quando a meu ver não se pode generalizar, tal como é condenável criticar a generalidade das pessoas “mulatas” ou de etnia “cigana”). Portanto, com esta medida, pelo que temo, muita coisa vai mudar. Para pior! Muitos elementos que conheço, começam a querer abandonar os grupos (as razões profissionais são a principal razão, seguidas do exemplo que dei anteriormente no que respeita a distúrbios). Eu, começo a pensar nisso também. Como já referi, quem não deve não teme, e eu, em momento algum, tive qualquer tipo de atitude agressiva ou condenável perante quem quer que fosse. Quero com isto dizer, que o que me leva a reflectir seriamente se vale a pena continuar a fazer sacrifícios tão grandes pelo clube que sempre amei, e sempre vou amar, tem a ver com uma medida que não se adequa aos parâmetros com os quais sempre me habituei a viver: os da liberdade.

Gostaria ainda de mencionar o seguinte. Todos os elementos das claques do SLB, antes de mais, têm de ser sócios do clube! Logo, todas as nossas informações fazem parte dos ficheiros do clube. E com isto, nunca houve qualquer tipo de atrito. Todavia, o que agora estão a querer impor, é uma medida completamente radical e que não faz qualquer sentido.

Agradecia que dessem a importância, a este artigo, que acharem merecer, mas que o façam de forma imparcial.

Com os mais sinceros cumprimentos,

De um sócio do Sport Lisboa e Benfica, e do grupo No Name Boys.”

publicado por velhoestilo às 22:50
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1 comentário:
De sagres a 16 de Setembro de 2007 às 23:56
antes de mais quero salientar atitude ontem dos diabos foi uma optima atitude.

tirando as guerras tirando os pontos desacordo eu estou com os meus amigos diabos nesta luta contra a legalização como estou com os outros grupos de apoio.

é pena ver grupos como a jl e os sd a legalizarem sem lutarem contra essa luta se todos recusasem tal coisa e k era de valor a voz seria mais alta mais pessoas do nosso lado nesta luta a policia ia xegar a um ponto k ia dessistir de reeprender os casmurros k nos somos pk era todos os fds historia de adptos feridos devido a tentarem cumprir uma lei desnecessaria e sem beneficios para os verdadeiros prometores do bom futebol e de um bom espetaculo.


A MIM Ñ ME VAO LEGALIZAR.

SE ES ULTRA E KERES SER LEGALIZADO ENTAO VAI PARA A GALIZA.

ABRAÇO AOS VERDADEIROS MENTALITÁS


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