Segunda-feira, 22 de Março de 2010

Carta Aberta ao Laurentino


Caro Laurentino:

O que tens feito? Há muito tempo que não te vejo. Sei que suspendeste o Estatuto de Utilidade Pública da FPF e pouco mais. Mas adiante...

Escrevo-te porque acabei de ver umas imagens na TV. Passaram-se um pouco por toda a A2 e na área circundante ao Estádio do Algarve. Vi pela TV porque infelizmente não fui ao Algarve apoiar o Benfica. Decidi aproveitar uma deslocação europeia da minha equipa que se estendeu por mais uns dias. Coisas de "marginal das claques".

Vi imagens de pessoas a correr desenfreadas a fugir de bastões da GNR. Vi pessoas a saírem de autocarros quase obrigadas pelo arremesso de Gás Pimenta para dentro dos mesmos e a serem agredidas pelos mesmos agentes da autoridade.

E vi muita parvoíce. E li ainda mais. Relatos de agressões a adeptos que nada têm a ver com as claques organizadas de qualquer clube (sem apontar dedos ou cores).

Eu sei que não tens culpa disso Laurentino. A culpa é dos "ultras" que gostam mesmo é de "fazer merda" ou da nossa polícia que mata pessoas que fogem a operações Stop. Mas tens culpa numa coisa meu caro: de andares a vender a ideia da 16/2004 e de andares a "lixar" os adeptos ou ultras que nada queriam ter a ver com essa fraude eleitoralista que andaste a vender. Estás satisfeito com o que viste ontem? Eu não...

Existiram no entanto duas coisas me agradaram. A vitória fantástica do Benfica e a simbologia dos grupos da Luz de volta ao seu lugar por direito: a bancada.

De resto meu caro, um conselho, não vendas gato por lebre aos portugueses. Não vendas a ideia que as claques "legalizadas" resolvem um problema. Porque nada resolveram e a única coisa que tu conseguiste foi continuar a alimentar os "chupistas" do sistema.

Os de sempre.

Forte abraço.
publicado por velhoestilo às 21:02
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10 comentários:
De Anónimo a 22 de Março de 2010 às 21:26
UM ABRAÇO BEM FORTE...


De Velho Estilo a 22 de Março de 2010 às 21:36
Ahahah subtil


De Anónimo a 22 de Março de 2010 às 21:46
Muito bom foi pena nao teres ido
aMigo


De Anónimo a 23 de Março de 2010 às 04:41
Gosto muito de ler o Blog. Mas às vezes assusta-me a conivência por parte do autor com determinadas situações...


Os ultras são fortemente carregados porque muitas vezes fazem por isso. Se é verdade que muitas vezes são tratados com uma falta de respeito enorme, como por exemplo o tempo que ficam retidos antes de entrar para os estádios. Por outro lado, arranjam muitas vezes confusão parva...


Há situações que são de todo de evitar. O futebol não é pancada... e quem vai para lá para a pancada devia ser banido dos estádios. Eu não compreendo muito bem esse espírito ultra porque nunca o fui. Mas qualquer claque é uma mais valia para o futebol se tiver disposta a cantar e a apresentar coreografias interessantes - e eu nesses casos até acho que tochas e very lights devem ser autorizados.
Agora as claques como o SD que vão para o Sul e no caminho deixam um rasto de destruição e de roubos... é crime e devia dar direito a prisão. Aliás não compreendo como o autor do blog, que é certamente um pessoa inteligente, ataca tanto os estatutos mas depois é conivente com estas situações.E deixo aqui a pergunta se ser ultra é apoiar o clube, ou é entrar numa espécie de guerrilha onde o que interessa é defender o nome da claque acima do clube.


De resto, acho a sua observação sobre a polícia que mata uma pessoa que decide não parar numa operação stop um infelicidade. Espero que nunca tenha de mudar de opinião porque um familiar seu morreu e porque a polícia não disparou por causa da publicidade negativa que pessoas como você tomaram em relação a este assunto. É que a segurança pública está acima de tudo... e se para tal se tiver de matar que isso seja feito. É que atacar a polícia é muito fácil... mas se este tiro tivesse safo um familiar seu... hoje era o primeiro a dar louvores ao policia que disparou.


De Velho Estilo a 23 de Março de 2010 às 10:15
Caro Anónimo:
Em primeiro lugar o agradecimento pela tua mensagem. Quando as opiniões são antagónicas mas bem fundamentadas é sempre um prazer discutir.

Indo ao que realmente interessa:
É capaz de ser difícil encontrar aqui no Blog opiniões que pactuam com um cenário de violência gratuita e animalesca. Seja ela praticada pelos “ultras”, adeptos ou forças de autoridade.
O futebol não é pancada. Nunca. Estraga o que gostamos. Eu gosto de futebol. Adoro futebol. Gosto de ir aos jogos. A única diferença para um adepto comum é que gosto de ver futebol de pé, a cantar, com bandeiras, cachecóis e sim… com fumos e tochas. De resto sou um adepto normalíssimo.
Acredita.

Não consigo pactuar com rastos de destruição e roubos. Sejam eles praticados por quem quer que seja. E qualquer que seja a raça, cor ou credo. Sejam elementos de claques, sejam manifestantes, sejam simples ladrões. É uma forma de estar na vida, e por consequência no desporto.
Passando essa fase (e faço a mea culpa caso tenha sido – como parece – mal interpretado) queria também adiantar-te que a vida tem me proporcionado viajar de tempos a tempos pela Europa e a assistir a alguns jogos de futebol. Sejam do SLB em jogos europeus seja dos campeonatos locais. E também tenho a sorte de ter construído várias amizades com “ultras” um pouco por toda a Europa. De várias cores, raças e credos.

É com esse saber ou “experiência” adquirido no qual baseio a minha opinião em relação aos nossos legisladores e às nossas forças de autoridade.
As sábias palavras de Montesquieu “Leis inúteis enfraquecem as leis necessárias” aplicam-se neste caso (como em muitos outros em Portugal). O poder político decidiu aplicar e promover uma lei que para nada serve. Cortou a parte do “espectáculo de bancada” às claques. E se procurar um pouco atrás no Blog verifica a minha opinião relativamente a esse assunto. Versa algo como : “as claques estão condenadas a destacarem-se pela violência como alternativa aos espectáculos coreográficos e de cor”. Não me enganei…

Relativamente às nossas forças de autoridade reconheço um misto de tudo. Falta de preparação, falta de formação, falta de equipamento e falta de civismo. Quando deveriam ser um garante de estabilidade, justiça e aplicação correcta das suas competências muitas vezes fogem deste caminho, no fundo confirmando a velha teoria de que “quem não serve para nada, ou vai para a Polícia ou para a Tropa”. Claro que existem excepções, e neste caminho que trilho há anos já encontrei muita gente correcta e com uma atitude irrepreensível em relação aos grupos organizados. A pena é que muitas vezes esses são “afastados” por serem demasiado “coniventes” e não procurarem resolver tudo à bastonada.
Na questão da Taça da Liga pergunto-lhe se não seria inteligente delimitar zonas para ambas as massas adeptas. Se não seria inteligente a polícia que acompanhava as claques do Porto comunicar com Estações de Serviço para saber se existiam condições de segurança para uma paragem. Seriam medidas simples para evitar as cenas infelizes a que assistimos. Porque meu caro Anónimo, se vamos pelo lado da”sensibilização da claques” estamos conversados. É que essa sensibilização costuma ser na base do “portem-se bem e nós damos-vos benefícios” . Lembrando práticas que já se provaram nunca funcionar. Em qualquer circunstância ou realidade.


De Velho Estilo a 23 de Março de 2010 às 10:15
Em relação ao caso que comentei, o da operação Stop, não me parece que seja uma comparação infeliz de todo. Uma pessoa, um ser humano, foi condenado à morte porque não parou numa operação Stop. É tão simples quanto isso. Não violou ninguém, não era um pedófilo nem sequer tinha atropelado uma pessoa e fugido. Limitou-se a fugir numa operação STOP. Este facto deveria apenas ser enquadrado na moldura penal legítima. Com pulso firme e sentença a condizer. Mas caro Anónimo, convenhamos, condenar uma pessoa à pena de morte (continuo a interrogar-me como não foi possível à PSP interceptar um Lancia Y10) pura e simplesmente por não parar numa Operação Stop já cruza a linha que destinge os seres humanos dos animais.

Seja qual fora a Raça, Credo ou Cor.

Um abraço e obrigado mais uma vez pelo teu contributo.


De Pedro a 23 de Março de 2010 às 14:54
Velho Estilo,

Um polícia não se mete aos tiros numa perseguição automóvel por dá cá aquela palha.

Nunca me hei-de esquecer de uma rusga no casal ventoso q acabou com um popular baleado num pé. As TV's fizeram a novela do costume com os populares a gritarem ofensas á polícia e a acusarem de excesso de violência etc. O q ninguem disse é que antes dos disparos os populares estavam a cercar os policias e a apertá-los...

Sou totalmente contra os abusos de autoridade qd se vê 4/5 policias a agredirem uma pessoa, muitas vezes já perfeitamente controlada. Seja na bola ou em manifs de trabalhadores. É inaceitável. Mas essa nossa guerra não nos pode cegar e julgar todas as situações por igual.


De Anónimo a 23 de Março de 2010 às 15:35
Caro VE,
Em relação à sua visão do papel dos Ultras no futebol fiquei super esclarecido e fico contente por partilharmos a mesma opinião em relação ao movimentos organizados. Elas são uma mais valia quando apresentam coreografias originais, marcantes e apoiam o seu clube durante os jogos em vez de se dedicarem à violência.

Quanto as nossas autoridades:
A falta de ética e sentido de serviço público é muitas vezes uma realidade. O exemplo mais marcante talvez seja a caça à multa. Não previne acidentes serve apenas para encher bolsos e cofres.

Quanto à formação da polícia e a vocação para o ser o meu senso comum diz-me que a velha teoria está muito perto de ser uma realidade.

Aponta umas soluções que me parecem muito interessantes para o controlo de claques. Faz falta a autoridade ouvir quem sabe, ou querer ouvir. Pessoalmente acredito que toda a lei em Portugal actua na base de que somos todos cidadãos "sensíveis e muito correctos"... sendo por isso que o nosso país tem tanta situação "menos clara", é que não há muito cidadão que podendo ganhar dinheiro fácil o rejeite. O que é preciso é saber punir esses casos para dar o exemplo... mas punir sempre e a horas.

Em relação à operação STOP pelo que li, e não sei se estou 100% correcto, polícia em Portugal não pode utilizar a técnica de encostar o carro para parar um suspeito... porque o polícia é depois responsável pelos danos. Sobra a solução de andar atrás do sujeito a noite toda até que ele fique sem gasolina(imagine o perigo público que podia ser) ou então mandar um tiros... O sujeito escolheu fugir a um operação STOP... (o que para mim é grave) a polícia decidiu disparar uns tiros... a pontaria é que foi perfeita. Neste país à leis que devem ser cumpridas mas eu não arrisco a dizer que o criminoso foi condenado a morte... É suspeito que tenha sido morto ao 3º tiro... mas nada me diz que o polícia o tentou matar. E se esse polícia apenas disparou para assustar o criminoso(porque nao podemos esquecer que fugir a policia ainda e crime) então deve ser absolvido. Agora se disparou para matar propositadamente merece prisão...


De Velho Estilo a 24 de Março de 2010 às 01:36
Boas Pedro:

Repara, não duvido que por vezes não exista opção. Até nesta questão da Taça da Liga, e por muita rivalidade que tenha com os Andrades e por muito desprezo que me suscitam os SD por muito que representam,não me é difícil admitir uma "manipulação" de imagem para os "queimar". Apenas a eles.

Voltando à questão da perseguição de que falei, continua a fazer-me "comichão" que um ser humano morra porque não parou numa Operação Stop (confesso que desconheço a questão de a autoridade poder parar um carro em movimento, mas caso assim seja é mais uma impossibilidade ridícula). Nada me liga ao cidadão em questão, nem sei quem é e nem gosto particularmente da música que ajudava a produzir. Mas tenho amigos que já fizeram coisas idiotas em operações STOP. Não gostava de lhes mandar flores para cima... That's it :-)

Mais uma vez, obrigado a ambos, Pedro e Anónimo pela contribuição.


De Anónimo a 24 de Março de 2010 às 14:52
A diferença está na liderança de cada grupo.

Ha lideres que cultivam bons valores aos mais novos.

Outros escrevem livros apelar para roubar estações de serviço e atacar adeptos normais.(super cabroes).

E depois temos os filhos da puta dos politicos que violaram menores,roubaram o estado durante 25 anos,gastam o dinheiro roubado aos contribuintes em wisky,putaria e iates e ainda acham se com moral para falar.

Tanto gente pobre que formaram que sem se aperceberem o "exercito" de pobres é mais do que suficiente para lhes fazer a folha.

Eles deviam era ter muito,mas muito cuidado a falar de certas claques,pois lideres de nucleos das mesmas tem bastante influencia nesses "exercitos" de pobres.

Gente sem nada a perder...E com tanta facilidade em arranjar armas.


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